As vezes me perguntam como é que a Montana chegou onde está. Mesmo sabendo a maioria das respostas, acabo descobrindo coisas que me surpreendem. Ao refletir sobre a nossa história vejo que grande parcela do nosso crescimento não se deve a dados matematicamente mensuráveis, nem à alta performance de nossas máquinas, nem às condições favoráveis do mercado.
Existe algo mais, difícil de explicar para quem não viveu esse momento. é a nossa gente, gente que faz toda a diferença, exemplos de abnegação, desprendimento, amor à causa Montana. Como calcular tanta contribuição e colocar numa planilha? Quanto vale a dedicação plena de um colaborador numa hora difícil? Quando iniciei a empresa, muita coisa me veio à cabeça. Lembrei que todo efeito vem de uma causa. Por que o Brasil ainda lutava e continua lutando para alcançar a modernidade?
Não quero responder agora e sim convidar você a participar ativamente deste raciocínio, para entendermos mais profundamente o valor da cultura Montana para o Brasil. Vamos pensar juntos e analisar a nossa conjuntura passada, presente para, então, conscientemente, transformar o futuro. é fato que, durante muito tempo, os empreendedores brasileiros estiveram na lista das espécies ameaçadas de extinção. E não é para menos. No Brasil, o Estado foi criado antes da sociedade, tornou-se gigantesco como um monstro devorador, dominando toda a atividade social e econômica, atrofiando, por um lado, a iniciativa e, por outro, o comprometimento. Sob a tutela e o comando do Estado, às vezes sutil e outras violento, as empresas foram desacostumadas a buscar seu alimento e sobreviver fora do cativeiro, ou, em outras palavras, perderam a capacidade de investir, criar, competir, ousar e correr os riscos inerentes a um ambiente de liberdade.
Grande parte do empresariado nativo, domesticado, habituou-se à proximidade com os governos e passou a orbitar, em regime de parasitismo, em torno dos poderosos de plantão.
Uma relação promíscua que desestabilizou o meio ambiente, estimulando o crescimento descontrolado de pragas como a incompetência, o desperdício, a especulação a corrupçao e o desrespeito aos mais elementares valores da cidadania. Comprar a R$ 10 e revender a R$ 25 passou a ser considerado "negócio" e os rendimentos da agiotagem oficial superavam em muito as receitas de qualquer atividade produtiva. Uma situação insustentável, dentro dos parâmetros do mercado internacional, onde a competição global evoluiu para a eliminação de fronteiras e no qual a oferta se transformou em normalizadora de preços, custos, qualidade e, especialmente, revolucionou as relações com o consumidor/cidadão.
Dentro deste contexto, em 1996, surge a Montana, com uma nova visão, a de empreendedores brasileiros que recolocam a atividade produtiva no centro dos seus negócios. Empresários que abandonam a vida fácil da especulação e incorporam a difícil missão de ser livre e responsável perante seus funcionários, fornecedores, consumidores, sociedade e, principalmente, com a própria consciência. Contra o parasitismo e a inércia, essa nova geração de empresas passou a cultivar o investimento, o respeito aos valores morais e éticos, as responsabilidades social, ambiental e fiscal. Mas, acima de tudo, descobriram que o mais importante não é apenas gerar empregos aos seus colaboradores, mas dar-lhes uma razão verdadeira para viver em toda a plenitude. Sendo úteis, servindo à humanidade, orgulhosos de darem exemplo para aqueles que ainda não se livraram do passado.Não foi um caminho fácil para a Montana, mas de lutas, sacrifícios, desafios. E também de uma grande façanha: saiu de um faturamento de R$10 milhões para 100 milhões em 10 anos. Uma conquista de todos, uma história escrita a muitas mãos, com um enredo onde sobrou emoção e adrenalina.
Agora, a terra está preparada para receber a nova semente: o Projeto 10 em 10, que engloba sonhos, aspirações, potencialidades, realizações, experiências e talentos acumulados. Vamos repetir a façanha. E, para isso, basta que continuemos honrando nossos valores, nossa cultura e nosso espírito de equipe, qualidades que já provamos ter, tantas vezes. A planta que temos em mãos é jovem, tenra, mas não frágil. Nasceu em solo adubado pela nossa vontade férrea de realizar, cresce como a nossa liberdade e será colhida, com certeza absoluta, por nossa determinação. Provando, para o Brasil e para o mundo, que a velha ordem acabou, porque o errado não dura.O certo é para sempre.